Saiba mais sobre Pedro Scherer Neto, um dos mais renomados ornitólogos do país e orgulho do Paraná.

Pedro Scherer | Acervo pessoal

A grande capacidade auditiva e de memória contribuíram para que um Engenheiro Agrônomo de formação se destacasse na pesquisa de aves. Mestre em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná, Pedro Scherer Neto é um dos pioneiros nas pesquisas contemporâneas em Ornitologia no Brasil. Em 2014, ganhou o título de ‘Biólogo Honorário’ em homenagem do Conselho Regional de Biologia da 7º região.

A história que levou Pedro Scherer a se tornar ornitólogo iniciou em 1976, quando começou a trabalhar no Museu de História Natural do Paraná, onde ficou por 37 anos. Nesta primeira experiência, aprendeu a estudar e coletar informações sobre aves do estado. Com a orientação de outros pesquisadores, participou das primeiras expedições para realizar um inventário das aves que ocorrem em Santa Catarina e fez o mesmo no Paraná, estudando os diversos ambientes do Bioma Mata Atlântica do estado: Floresta com Araucária, campos, Serra do Mar, planícies litorâneas e região costeira. A trajetória de Scherer está marcada por grandes momentos, como sua dedicação com a pesquisa sobre o  papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis). Na década de 70, o Passeio Público, zoológico municipal de Curitiba, recebeu um exemplar da espécie que ainda era pouco conhecida na época e sobre a qual ainda não havia literatura existente. 

Em um episódio da websérie ‘Histórias da Grande Reserva Mata Atlântica’, o pesquisador conta que o papagaio recebido foi a óbito e a pele do animal foi enviada para o Dr. Helmut Sick, do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que o incentivou a estudar a espécie a fundo. “Foi ele que me incentivou a buscar informações sobre a espécie, me emprestou seu Toyota Bandeirante azul e me deu US 100,00 dólares para tal fim. Esteve comigo em campo em algumas ocasiões em alguns locais da baía de Guaraqueçaba onde pude ver, pela primeira vez, a espécie em seu meio natural”, afirma.

Mais tarde, na década de 80, o conhecimento sobre o papagaio se expandiu. “Baseados em algumas informações de que existiam papagaios na Ilha do Mel, nós fomos fazer a verificação e encontramos na ponta Oeste um grupo de papagaios chegando, realmente, para dormir. Ele era uma espécie que ocorria em ilhas, na baía de Paranaguá”, conta. 

“E todo esse tempo que nós estivemos em campo, percebemos que o papagaio sofria ameaças, quer seja pela retirada de filhotes dos ninhos, quer seja pela derrubada de grandes árvores que serviam tanto para a alimentação quanto para reprodução”, relembra.

O ornitólogo também relatou que nesta época, juntamente com outros colegas e pesquisadores, levou o problema à imprensa e, dessa forma, deu início ao conhecimento sobre o papagaio-de-cara-roxa.

Papagaio-de-cara-roxa, foto de Zig Koch

Apesar das boas lembranças, Pedro Scherer também presenciou períodos de aumento do desmatamento da Mata Atlântica no estado do Paraná, um motivo de muita preocupação para ele à época e até os dias de hoje. “Foi triste ver não só o desmatamento mas também a retirada seletiva de árvores locais de alto interesse para a sobrevivência do cara-roxa mas também pelo desaparecimento da cobertura florestal no norte e noroeste do Paraná e do cerrado que hoje praticamente não existe mais”, relembra. Em sua trajetória, Pedro já fez importantes contribuições para a ciência e conservação da natureza como o trabalho realizado com o papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha), no Espírito Santo, e a realização do primeiro ‘Curso para Observadores de Aves’ no Paraná. “No Brasil ocorreram eventos semelhantes a partir de um grupo de pessoas do Rio Grande do Sul e que mais tarde, durante minha gestão como presidente do COA [Clube de Observadores de Aves], fundamos núcleos em outros estados brasileiros”, conta.

Pedro Scherer em depoimento para a websérie ‘Histórias da Grande Reserva Mata Atlântica’.

Para aqueles que desejam ingressar na área, o ornitólogo deixa a mensagem: “nunca abandonem seus sonhos e se dediquem à pesquisa para a geração de conhecimento da avifauna e do meio em que vivem, sempre com muito respeito e responsabilidade”, aconselha.

“Nunca abandonem seus sonhos e se dediquem à pesquisa para a geração de conhecimento da avifauna e do meio em que vivem, sempre com muito respeito e responsabilidade.” – Pedro Scherer

Em sua carreira, o ornitólogo também publicou e contribuiu com diversas obras, dentre elas o livro ‘Aves do Paraná’, que completa 40 anos em 2020. Atualmente estuda aves de rapina na área da Escarpa Devoniana, Área de Proteção Ambiental (APA) no Paraná, além de ser colaborador no Parque Estadual do Guartelá, Unidade de Conservação também localizada no Paraná. Em suas recentes pesquisas, Scherer tem se dedicado ao estudo de rapinantes diurnos, como a ameaçada águia-cinzenta (Urubitinga coronata).

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