Qual a importância de saber quantos papagaios de uma espécie habitam parte do nosso país?

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Qual a importância de saber quantos papagaios de uma espécie habitam parte do nosso país?

Foto de destaque: Zig Koch

Após recrutar e treinar uma equipe de aproximadamente 50 voluntários, os técnicos do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa saíram à campo, em áreas do litoral do Paraná e de São Paulo, para contar papagaios. A atividade, tecnicamente chamada de censo populacional, incluiu orientações sobre as características e comportamentos dessa ave, metodologia de contagem, manejo de equipamentos e cuidados em campo. Alguns pontos chegavam a ser 350km distantes do maior centro urbano, Curitiba. Mas afinal, qual era o objetivo deste trabalho? A que resultados esta equipe chegou?

O censo é a principal ferramenta para acompanhar a manutenção da população na natureza e para identificar pontos prioritários para a realização de novas atividades de conservação. O resultado final deste trabalho é a soma dos papagaios visualizados pelas equipes em cada dormitório da espécie. A contagem é sempre feita duas vezes ao dia, ao nascer e ao pôr do Sol – horário que estas aves saem atrás de alimento e que retornam para o descanso diário. 

Ainda tecnicamente falando, esses dados e outras informações técnicas avaliadas, permitem que instituições como o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a IUCN possam ter a comprovação necessária para avaliar o status de conservação de diversas espécies. A partir do censo, o papagaio-de-cara-roxa teve seu status de ameaça reduzido em 2014 para “quase ameaçada”, demonstrando que os esforços em prol desta espécie estavam surtindo efeito.

Equipe realizando a contagem das aves.

No entanto, estes resultados vão muito além de questões técnicas. Com os números obtidos é possível, por exemplo, identificar pontos que facilitem a visitação de turistas para observação de aves – atividade conhecida como birdwatching, o trabalho de fotógrafos de natureza e o convívio harmonioso de nosso rico patrimônio natural e de pessoas que buscam no meio ambiente uma experiência única. Estas atividades geram renda a comunidades de entorno de Unidades de Conservação e a sensibilização da importância para a preservação de espécies de fauna e flora.

Com os números obtidos é possível, por exemplo, identificar pontos que facilitem a visitação de turistas para observação de aves, atividade conhecida como birdwatching.

Só que os benefícios não param por aí. Com estes números, órgãos públicos também conseguem desenvolver políticas públicas que aliem o desenvolvimento regional à sua verdadeira vocação, além de implementarem mecanismos legais entendendo as prioridades de cada região e de cada espécie de nosso país. Os resultados ainda contribuem para implementação de planos de manejo de Unidades de Conservação públicas e privadas e na gestão de programas de uso público dessas áreas. Todos esses benefícios somados geram o que chamamos de produção de natureza.

Foto: Talitha Pires Borges (voluntária do censo)

Foi com estes objetivos que, em 1998, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), por meio do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, passou a realizar o censo no litoral do Paraná. Em 2003, o censo foi expandido para o Estado de São Paulo. 

Em 2019, com o apoio de voluntários e de moradores locais, o Projeto contabilizou 7.493 aves, só no litoral paraense. Para a realização desta edição, a SPVS organizou uma campanha de financiamento coletivo que contou com mais de 40 doadores. Além deste esforço, também recebeu uma contribuição do Parque das Aves, que possibilitou cobrir toda a área de distribuição da espécie no Paraná. A meta da campanha foi atingida parcialmente, por isso não foi possível estender o censo para o litoral paulista, onde foram registradas 1.746 aves na última contagem realizada, em 2018.

Deste total, mais de três mil papagaios vivem numa região que vem sendo fortemente ameaçada pela possibilidade de construção de um complexo portuário. Desde 2011, os resultados do censo permitem à equipe inferir que um número significativo de papagaios se utiliza das regiões de Pontal do Sul e Guaraguaçu (em Paranaguá) para alimentação e reprodução. Desta forma, se aprovada for a construção do empreendimento, infelizmente, afetará drasticamente a sobrevivência desta espécie e de outras tantas, que se utilizam deste último grande remanescente do bioma Mata Atlântica. Entenda mais sobre esta ameaça e sobre o que você pode fazer sobre isso, clicando aqui.

Em Santa Catarina, por conta de pressões na área de uso da espécie, o papagaio-de-cara-roxa já não é mais avistado no estado. Isso demonstra o quanto a ave é sensível a pressões e o quanto as alterações de paisagem, sobretudo, o desmatamento, podem comprometer a população que vem se recuperando no Paraná e em São Paulo.

Além da SPVS e do trabalho com o papagaio-de-cara-roxa, outras espécies do Programa Papagaios contam com esta atividade técnica para a sua conservação e para que suas ameaças sejam identificadas e seriamente combatidas. Acompanhe nossas próximas publicações aqui no site e entenda mais sobre o Programa e como você pode contribuir com ele.

Projeto Papagaio-verdadeiro ganha ação-experimental com uso de ninhos artificiais

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Projeto Papagaio-verdadeiro ganha ação-experimental com uso de ninhos artificiais

Ação-experimental contará com o apoio do Parque das Aves e do Projeto Papagaio-de-cara-roxa/SPVS para a instalação de ninhos de PVC em habitats seguros.

Nos últimos 30 anos, mais de 10 mil filhotes de papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) foram coletados ilegalmente da natureza só no estado do Mato Grosso do Sul. Esta é a espécie de papagaio brasileiro mais visada pelos traficantes de animais silvestres, para ser comercializada ilegalmente como animal de estimação – por ser considerado o famoso “papagaio que fala”.

Criado em 1997, o Projeto Papagaio-verdadeiro é uma iniciativa que busca mobilizar as pessoas sobre a importância da conservação da espécie e seu ambiente natural, além de buscar sensibilizá-las a não comprar papagaios oriundos do tráfico no Brasil. Entre as ações do projeto estão a pesquisa científica, campanhas de educação para conservação nos biomas Pantanal, Mata Atlântica e Cerrado, no Mato Grosso do Sul. Além dessas ações, realiza o mapeamento do tráfico dessa ave, em todo o Brasil.

Onde estão os ninhos?

O papagaio-verdadeiro utiliza cavidades naturais e ocos de árvores (muitas vezes, palmeiras mortas) para sua reprodução e abrigo dos filhotes até voarem. Tendo em vista que parte da atuação dos técnicos do projeto está o monitoramento periódico dos ninhos, observou-se que que cerca de 85% dos ninhos foram saqueados por coletores de filhotes, em uma das regiões de estudo.

Além da perda dos filhotes, o que impacta negativamente o crescimento populacional da espécie, muitas vezes os ninhos são danificados. Com isso, os casais de papagaios ficam impossibilitados de usarem esses ocos nos anos seguintes, limitando ainda mais as possibilidades de reprodução da espécie.

Ninhos artificiais

Na tentativa de minimizar os danos causados pelo tráfico, o Projeto Papagaio-verdadeiro iniciará uma ação-experimental, com a instalação de ninhos artificiais em locais seguros, como Unidades de Conservação e propriedades privadas parceiras, conhecidas como “Amigas do Loro”.

Além de aumentar a disponibilidade de locais seguros para a reprodução dos casais de papagaios, a ação busca mobilizar a população sobre a importância de preservar as árvores-ninho. A limitada oferta dos ninhos é uma das grandes ameaças à manutenção dos papagaios-verdadeiro em várias regiões.

Essa ação-experimental contará com o apoio do Parque das Aves, que irá confeccionar os ninhos de PVC, e do Projeto Papagaio-de-cara-roxa/SPVS, que fará a orientação técnica para a instalação dos ninhos. Esta ação tem sido realizada com sucesso no Estado do Paraná onde o Projeto Papagaio-de-cara-roxa/SPVS trabalha pela preservação do papagaio-de-cara-roxa e também do papagaio-charão.

Conheça as espécies do Programa Papagaios do Brasil

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Seis espécies fazem parte desta iniciativa nacional pela conservação dos papagaios.

Há mais de uma década, diversas organizações e pessoas trabalham pela conservação dos papagaios no Brasil. Ao todo, a fauna nacional é composta por doze espécies de papagaios, sendo seis delas as que mais carecem de ações de preservação.

Por que os papagaios do Brasil ganharam uma semana especial dedicada a eles?

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Por que os papagaios do Brasil ganharam uma semana especial dedicada a eles?

Semana dos Psitacídeos acontece anualmente na terceira semana de abril.

Todos os anos, o IBAMA e a Polícia Ambiental apreendem no Brasil milhares de papagaios que foram ilegalmente subtraídos da natureza – só no Paraná, 5.097 aves foram resgatadas no último ano. O número exato de pássaros capturados pelo tráfico no país não pode ser precisado, mas com certeza deixaria qualquer um espantado…