Estudo de DNA indica que o periquito-da-carolina foi extinto pela ação humana e aumenta consenso sobre a necessidade de proteger espécies ameaçadas

Foto: Veronica La. Battezini

Única espécie de psitacídeo nativa dos Estados Unidos, o periquito-da-carolina (Conuropsis carolinensis) foi extinto no início do século XX. Em 2019, um grupo internacional de cientistas concluíram, por meio de um estudo de DNA, que o desaparecimento da espécie aconteceu de modo repentino e abrupto, levantando como principal hipótese a forte interferência humana na sua área de ocorrência.

De acordo com a reportagem da National Geographic, determinar qual atividade humana foi a principal responsável pela extinção do periquito-da-carolina permite que planos e projetos de conservação atuem evitando que outras espécies ameaçadas tenham o mesmo destino. Entre as atividades humanas consideradas como causas da extinção do periquito estão: caça para uso de plumagem como acessório; extermínio em regiões rurais por produtores que consideravam a ave como uma praga, ignorando o benefício dos periquitos na eliminação de certas plantas venenosas por serem a única espécie capaz de consumi-las; e a perda de vegetação nativa, que destruiu as árvores onde as aves faziam ninhos.

No Brasil, um número elevado de espécies está em situação de risco. Em 2016, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontou que 1,173 espécies da fauna brasileira estavam ameaçadas de extinção — e entre elas, 234 eram espécies de aves. Esse é um dos motivos pelos quais é fundamental manter áreas naturais em bom estado de conservação com fiscalização constante e preventiva para evitar ações como caça e o roubo de animais silvestres. No Brasil, alguns projetos, como o Programa Papagaios do Brasil, se esforçam para proteger espécies vulneráveis e ameaçadas de extinção, unidas ao Poder Público, a iniciativa privada e a academia.

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A maior parte dos animais ameaçados encontram-se no bioma Mata Atlântica, tornando essencial a preservação das planícies e ilhas do litoral do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Assim como o periquito-da-carolina era endêmico dos Estados Unidos, no litoral do Paraná e de São Paulo habita uma espécie que é endêmica, ou seja, que só existe em um trecho limitado de planície e ilhas costeiras: o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) — que vêm se recuperando na região devido aos esforços para sua proteção.

Particularmente no Paraná, a possibilidade de construção de um novo porto em Pontal do Paraná pode colocar em risco a espécie que tem metade de sua população total concentrada no litoral do estado.

Em um levantamento realizado em 2018, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) avaliou que a construção do empreendimento afetaria pelo menos 4 mil papagaios-de-cara-roxa, número que representa quase a metade de toda a população.  

Outro grave prejuízo tem relação com a utilização dessa região para o turismo de natureza, pois a área afetada inclui a Ilha do Mel, segundo maior destino turístico do estado do Paraná e parte da área de ocorrência do papagaio-de-cara-roxa.

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Ainda é possível reverter essa situação e evitar que a espécie tão endêmica de nossa Mata Atlântica corra o risco de ter o mesmo destino do periquito-da-carolina por perda de habitat.

Acessando www.salveailhadomel.com.br é possível enviar um e-mail ao poder público posicionando-se contra o projeto de instalação do empreendimento portuário em Pontal.

Arte: Tiago Recchia

Fontes:

Estudo de DNA aponta para humanos como causa da extinção do periquito-da-carolina | Forbes

Como o homem exterminou o único papagaio nativo da região continental dos EUA | National Geographic


1 comentário

Paulo Afonso Borba · 23/02/2020 às 4:57 pm

Casais destes animais não poderiam ser inseridos em outras regiões que contivessem alimentação parecida ?????

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