Como os ninhos artificiais têm ajudado a reprodução do papagaio-charão, papagaio-de-peito-roxo e papagaio-de-cara-roxa?

Como os ninhos artificiais têm ajudado a reprodução do papagaio-charão, papagaio-de-peito-roxo e papagaio-de-cara-roxa?

Já são mais de 400 caixas-ninho instaladas pelo Brasil.

Em 2001 foram instalados os primeiros ninhos artificiais no Rio Grande do Sul, único estado em que o papagaio-charão se reproduz. Também foram instaladas caixas-ninho nos estados de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais, visando favorecer a reprodução do papagaio-do-peito-roxo, espécie predominante nessas regiões.

Os papagaios usam cavidades ou ocos de árvores para a sua reprodução. Com a redução da mata nativa ao longo das décadas, encontrar locais apropriados para a postura de ovos é a cada ano um desafio maior para essas aves. Por isso, a ação de criação dos ninhos artificiais é de fundamental importância para a manutenção dessas espécies.

Filhotes de papagaio-charão no ninho
Foto: Élinton Rezende

O Projeto Charão já instalou mais de 400 caixas-ninho. Em sua maioria esses ninhos artificiais têm sido utilizados por papagaios-de-peito-roxo, pois esta espécie necessita de árvores mais frondosas para reproduzir e nem sempre as florestas têm esta capacidade de suporte. Em percentual um pouco menor, há uso dos ninhos pelos papagaios-charão.

Os papagaios se adaptam aos ninhos artificiais?

Em 2003, no Paraná, foram instalados quinze ninhos artificiais de madeira, pelos técnicos do projeto de conservação do papagaio-de-cara-roxa, visando auxiliar a reprodução do papagaio-da-cara-roxa. Num primeiro momento, foi observado que as aves tiveram um estranhamento inicial, apresentando comportamento exploratório – observavam as caixas por longos períodos e, em seguida, entrando e saindo várias vezes do ninho.

No entanto, podemos considerar que sua adaptação foi bem sucedida, pois os ninhos artificiais foram instalados entre os meses de julho e agosto e, em outubro, em algumas caixas já havia ocupação do casal e postura de ovos.

Papagaios em caixa-ninho.
Foto: Pretrei

Nos anos subsequentes foram instaladas mais caixas-ninhos no estado, chegando a 120 ninhos artificiais,  inclusive ninhos de PVC, os quais foram bem aceitos pelas aves.

Atualmente existem também 20 ninhos artificiais instalados em sítios reprodutivos no litoral sul de São Paulo disponíveis para os papagaios-de-cara-roxa que vivem na região. Desse total, 60% em madeira e 40% em PVC. A maioria desses ninhos são ocupados por papagaios e a taxa de sucesso é alta quando comparada aos ninhos naturais – neste ano, o primeiro ninho artificial foi ocupado e dois filhotes tiveram sucesso!

Em São Paulo, alguns ninhos artificiais foram instalados em áreas particulares com o consentimento e apoio dos proprietários. Essa parceria visa a sensibilização e a inserção da sociedade na preservação das espécies. Os moradores são grandes colaboradores nessa iniciativa!

No entanto, nesses casos, além do apoio das comunidades para a conservação dos papagaios é necessário que existam áreas apropriadas para a instalação e monitoramento das aves e pessoas com conhecimento especializado para um manejo seguro das aves.

Por esse motivo, é necessário que a instalação seja feita com cautela, em conjunto e com as orientações das equipes dos projetos de preservação para que o monitoramento e o consequente sucesso reprodutivo seja garantido.

Para saber mais entrem no site das iniciativas: Programa Papagaio-de-peito-roxo, Projeto Charão e Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa.