Conheça as espécies do Programa Papagaios do Brasil

Seis espécies fazem parte desta iniciativa nacional pela conservação dos papagaios.


Há mais de uma década, diversas organizações e pessoas trabalham pela conservação dos papagaios no Brasil. Ao todo, a fauna nacional é composta por doze espécies de papagaios, sendo seis delas as que mais carecem de ações de preservação.

O Programa Papagaios do Brasil é uma iniciativa nacional que reúne essas instituições e pessoas com o objetivo de informar e sensibilizar a população para essa causa. Conheça quais são as seis espécies que compõem o programa:

Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva)

Papagaio-verdadeiro. Foto: Gláucia Seixas

Estado de conservação (IUCN, 2019): Pouco Preocupante

O papagaio-verdadeiro é a espécie mais conhecida de papagaios que temos. Isso se dá por sua famosa habilidade de reproduzir sons – em especial a voz humana.

Apesar de hoje esta espécie estar no extremo seguro da lista de vulnerabilidade da IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza, a habilidade de imitar sons o torna um alvo constante do tráfico de animais silvestres. Por esse motivo, foi incluído no Programa Papagaios do Brasil.

Essa espécie habita o Brasil do nordeste ao sul, bem como o leste da Bolívia, Paraguai e o norte da Argentina. Medindo entre 35 e 37 cm, eles costumam ter a cabeça com penas amarelas e tons azul-esverdeado na frente e na bochecha, com o restante do corpo verde.

Os papagaios-verdadeiro se reproduzem entre agosto e novembro e têm uma alimentação generalizada, composta por frutos e sementes.

Saiba mais: Projeto Papagaio-Verdadeiro

Papagaio-charão (Amazona pretei)

Papagaio-charão. Foto: Pretrei

Estado de conservação (IUCN, 2019): Vulnerável

Nas Florestas de Araucárias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, as pinhas e ocos de árvores são a alegria dos papagaios-charão, que se alimentam com o pinhão e usam os ocos para se reproduzir, no período entre setembro e janeiro.

Um pouco menores que o papagaio-verdadeiro, eles possuem, em média, 32 cm de comprimento e 280g de massa corpórea. O charão apresenta a penugem predominantemente verde, com uma máscara vermelha na região dos olhos.

Hoje, o charão está na lista das espécies vulneráveis da IUCN, especialmente devido à redução drástica das matas de Araucárias na região, o que diminuiu a disponibilidade dos pinhões, principal alimento da espécie.

Uma das principais ações de conservação da espécie inclui a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), o que garante a perpetuidade da preservação de áreas naturais habitadas pelo charão.

Saiba mais: Projeto Papagaio-Charão

Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea)

Papagaio-de-peito-roxo. Foto: Rafael Sezerban

Estado de conservação (IUCN, 2019): Em Perigo

Com a penugem do peito em tons arroxeados, o papagaio-de-peito-roxo habita as matas secas e pinheirais do sudeste e sul do Brasil até o oeste do Paraguai e nordeste da Argentina.

Com cerca de 35 cm de comprimento, este papagaio chega a viver 30 anos na natureza, mas isso tem sido cada vez mais raro. A espécie tem sido ameaçada tanto pela caça quanto pelo desmatamento.

Antes, o papagaio-de-peito-roxo era encontrado do sul da Bahia até o Rio Grande do Sul. Porém, a população da espécie sofreu uma redução drástica com a diminuição das áreas de florestas nas últimas décadas, o que torna mais rara a disponibilidade dos ocos de árvores para sua reprodução, bem como alimentos.

Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis)

Papagaio-de-cara-roxa. Foto: Zig Koch

Estado de conservação (IUCN, 2019): Vulnerável

O casal de papagaios-de-cara-roxa é um casal de hábitos. Todos os anos, eles se reproduzem sempre na mesma árvore. Quando essa árvore é derrubada, eles param de procriar – diferente dos outros espécimes de papagaios, que costumam procurar outros troncos para fazer o ninho.

Essa é uma das causas que torna ainda mais vulnerável a espécie, famosa por suas penugens arroxeadas na região da face. Os papagaios-de-cara-roxa vivem hoje na Mata Atlântica, no litoral sul de São Paulo e todo o litoral do Paraná. A população que antes era encontrada em Santa Catarina infelizmente já foi extinta.

Além da diminuição da área de florestas e corte das árvores usadas para ninhos, os papagaios-de-cara-roxa são bastante visados pelo tráfico, sendo inclusive enviados para compradores internacionais.

Com ações de monitoramento e criação de ninhos artificiais desde 1998, já foi possível perceber um crescimento na população desta espécie. O trabalho de conscientização e informação da população continua.

Saiba mais: Projeto Papagaio-de-Cara-Roxa

Papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha)

Papagaio-chauá. Foto: Fabiane Girardi

Estado de conservação (IUCN, 2019): Em Perigo

No início da primavera, os papagaios-chauá fazem seus ninhos nas florestas, baixadas litorâneas e regiões altas do Alagoas até o Rio de Janeiro e o leste de Minas Gerais.

Com cerca de 37 cm de comprimento, o chauá traz a fronte avermelhada e alimenta-se de frutas, sementes, botões de flores e folhas. Embora o status populacional da espécie seja um dos menos conhecidos, sabe-se que a população dessa espécie sofreu uma redução considerável nos últimos anos, resultado de ações de desmatamento e caça.

Papagaio-moleiro (Amazona farionosa)

Papagaio-moleiro. Foto: Marina Somenzari

Estado de conservação (IUCN, 2019): Quase ameaçada

O papagaio-moleiro é o maior dos papagaios brasileiros. Com cerca de 40 cm de comprimento, ele possui uma plumagem verde, coberta por um pós branco fino. Com uma distribuição geográfica mais dispersa, essa espécie pode ser encontrada na Amazônia, na Bahia, no leste de Minas Gerais e São Paulo, além de regiões do México e da Bolívia.

A principal ameaça à espécie é a captura. Com uma personalidade bastante dócil, estas aves são muito procuradas para domesticação, o que tem contribuído para uma notável redução de sua população na natureza.

Informe-se e se conscientize: lugar de papagaio é na natureza!

Ajude a conservar as espécies nativas do Brasil e denuncie a captura e comércio ilegal: 0800-61-8080